«No contexto da obra nietzschiana, a crítica do conceito moderno desujeito é um dos momentos?chaves da crítica da modernidade, umacrítica radical de um dos pilares da autocompreensão filosófica dohomem moderno. O homem moderno é um ser estilhaçado ou, nas palavrasde Nietzsche, uma "soma de contradições", as suas pulsões perderam hámuito a perfeita coordenação do organismo animal. Ora, a décadence éprecisamente esta "anarquia das pulsões", ou, dito de outro modo, elaé a necessidade de combater as pulsões, e esta necessidade resulta dasua falta de coordenação e consequente desagregação.,Para Nietzsche, o "contra?movimento" que torna pensável a luta contra a décadence é aarte, o "grande estimulante,da vida". É certamente por isso que a suareflexão sobre a décadence é, em grande medida, uma reflexão sobre aarte.,E isto num duplo sentido: enquanto crítica da decadência da arte moderna e enquanto reflexão sobre as potencialidades,afirmativas daarte. É nesse contexto que se inserem as observações de Nietzschesobre a natureza decadente de arte de Wagner e, em contraponto, assuas posições sobre a tragédia grega e a arte (e a vida) de Goethe.»