«Escrevo. Para iluminar o Inferno. Tu, que lês, comigo para semprearderás nas trevas da luz infinita. És o que há de mais precioso emtodo o infinito universo. E por não o suportares tanto te prezas.Busca o que mais temes, beija-o na boca e sê feliz para sempre!» àEste livro é o diário de bordo da viagem instantânea e infinita entreo antes e o depois de haver alguma coisa. O diário da experiência doque se não pode dizer, com todas as suas potências e possibilidades,todos os deuses, demónios, labirintos e abismos, todos os sagazesvislumbres e furiosos arrebatamentos que se acoitam nisso a que sechama existência e vida. O surpreendê-lo na anulação da distância, napalavra súbita e mínima, incandescente ou transida do impossível queincarna. Na verdade este livro não existe, nunca começou a ser escrito e nunca cessará de o ser. Porque quem o escreve não é só quem julgas, mas, simultaneamente, tu próprio e Todo o Mundo-Ninguém. Aqui dialoga a presença com a ausência, aqui ressoa a presença-ausência, aquicanta a Saudade. Pois em tudo irrompe o mesmo fundo sem fundo dauniversal metamorfose, a mesma serpente que a tudo abandona como peles da nudez que para além de si e de tudo se empluma. Este livro é umdos seus rastos. Não tentes segui-lo, pois o que importa é que telibertes, dele, de tudo e de ti. Que agora mesmo te dispas e morras e, neste preciso instante e lugar, ressuscites proclamando a todas ascoisas o seu e teu eterno Despertar.