Francisco Ramos foi nomeado Professor Emérito da Universidade deÉvora, catedrático de Antropologia, com obra científica notável nasáreas da Sociologia, Antropologia, Etnossociologia Portuguesa eTurismo, com muitos ´filhos científicos´, isto é, mestres e doutores que orientou. E esse conhecimento profundo transparece nesta obra.Mas, o que é notável, esse conhecimento é transmitido ao leitor deforma simples e natural, como um pano de fundo que não se impõe. O que se impõe é a escrita escorreita de quem conta uma história e partilha com os seus amigos uma experiência vivida, iluminada pelo olhar de um observador atento e perspicaz e pelo estudo dedicado da realidade que retrata. Mas esse olhar, a que não falta o humor, sendo isento, não é neutro porque é um olhar de um alentejano de gema cujas palavrasdenunciam, sem remissão, o profundo amor pela sua terra. Amor que,como alentejano que sou por adopção, partilho e, também por isso, este livro me encheu as medidas. Este é um livro de retratos, retratos darealidade alentejana a pretexto da sua relação com o vinho, retratosde uma cultura no duplo sentido da palavra, o cultivo da terra paradela colher o que, por obra e engenho do homem, vinificará e seinstituirá como veículo mediador e, de alguma forma, estruturante dasua vida cultural.