GARRETT, ALMEIDA / ALMEIDA GARRET
«Eu muitas vezes, nestas sufocadas noites de Estio, viajo até à minhajanela para ver uma nesguita de Tejo que está no fim da rua, e meenganar com uns verdes de árvores que ali vegetam sua laboriosainfância nos entulhos do Cais do Sodré. E nunca escrevi estas minhasviagens nem as suas impressões, pois tinham muito que ver! Foi sempreambiciosa a minha pena: pobre e soberba, quer assunto mais largo. Pois hei-de dar-lho. Vou nada menos que a Santarém: e protesto que dequanto vir e ouvir, de quanto eu pensar e sentir se há-de fazercrónica. Era uma ideia vaga, mais desejo que tenção, que eu tinha hámuito de ir conhecer as ricas várzeas desse Ribatejo, e saudar em seualto cume a mais histórica e monumental das nossas vilas. Abalam-me as instâncias de um amigo, decidem-me as tonterias de um jornal, que por mexeriquice quis encabeçar em desígnio político determinado a minhavisita. Pois por isso mesmo vou: ¿ pronunciei-me.»