Wladimir Kaminer sentiu-se sempre atraído por terras estranhas porque, como ele próprio diz, «lá de onde eu venho a vida é imprópria paraviver». Talvez o seu tio Boris tenha pensado o mesmo quando viviabanido no Cazaquistão, razão pela qual teve dificuldade em acreditarque mais tarde o considerassem um herói do trabalho e o deixassem sair da Rússia para ir conhecer Paris, a cidade do amor e da torre Eiffel. Mas o governo soviético cuidou de evitar que o tio Boris alimentasseideias contraproducentes, e este acabou com os olhos arregalados aodescobrir o que verdadeiramente se passava naquela cidade. De olhosarregalados ficarão também dois turistas de Berlim na Crimeia, aodepararem com as botas chamuscadas de um Joseph Beuys cujo avião foiabatido sobre essa península durante a Segunda Guerra. "Viagem aTralalá" é, na verdade, uma montanha russa de viagens loucas por todoo mundo que cortam a respiração até ao mais destemido leitor.