De 1834 a 1851, o recurso à violência política banalizou-se como forma de forçar uma mudança política, uma substituição de governo ou umaalteração constitucional. É esta história que se conta neste livro.Nestes anos, Portugal viveu entre revoluções, pronunciamentos, golpese motins, incapaz de gerar modalidades de alternância regrada epacífica no poder. Estas dependiam, fundamentalmente, de se chegar aum acordo sobre a norma constitucional, o que só depois daRegeneração, em 1851, se veio a alcançar. Até então, o radicalismonunca se conformou com uma Constituição pensada para o marginalizar,entronizando uma oligarquia liberal que usava as prerrogativas régias, constitucionalmente consagradas, para se conservar no poder eexplorar o Estado em benefício próprio.