A cultura de segregação permaneceu durante boa parte do século XX, eviajar pelo território australiano ao lado de Sven Lindqvist éprocurar os vestígios dessa ausência, ainda traumática. A complexidade da questão adensa-se quando nos perguntamos se poderemos julgar opassado a partir do quadro mental que é hoje o nosso. Sem subirmos aum promontório não nos é dado ver o horizonte, como reconhece opróprio Lindqvist: æÉ a planura que nos faz crer que a Austrália éfeia e vazia. A planura mantém-nos reféns entre os arbustos. Mas logoque a estrada se eleva um pouco e permite uma visão sobre o canto domatagal, abrem-se paisagens fantásticas.Æ Nessa elevação que nospermite ver mais longe estamos simultaneamente aos ombros de gigantese sobre um terreno fertilizado por cadáveres. O passado não é um lugar tranquilo.