O livro de Gabriel Pugliese é uma brisa refrescante no cenário dahistória das ciências no país e, de quebra, com boas contribuiçõessobre questões de gênero. Acostumados que estamos, eu mesma incluída,a obras mais sisudas sobre esse campo de estudos, nos deparamos com um olhar novo sobre como os objetos da ciência se comportam - no casoobjetos no sentido estrito, isto é, aqui, o rádio. Além de umainstigante revisita a uma trajetória das mais importantes na históriadas ciências - não só a de Marie Curie como a de sua rede familiar - a pesquisa de Gabriel se dedica também a nos mostrar a resistência,quase no sentido psicanalítico, que o mundo material opõe aospesquisadores - o que, sem levar mais longe a metáfora possível aextrair daí, nos dá bastante lenha para pensar. O caso recente dobóson deveria nos levar a refletir mais sobre nossas relações com esse universo no qual vivemos e do qual (ainda) pouco sabemos.
Noentanto, é difícil resistir à metáfora sobre o empreendimento de Marie Curie e o que Gabriel chama de \'subversão do gênero\' - é como se as resistências materiais encontradas em sua pesquisa sobre aradioatividade correspondessem, de alguma maneira, às resistênciasencontradas por ela, como cientista mulher, no seu campo de estudos -e nas suas relações pessoais. Além disso, numa França dividida peloProcesso Dreyfus, a questão da \'raça\' se intromete na questão degênero e mostra até que ponto elas aparecem sempre historicamenteimbricadas. O estudo da \'diplomacia da radiopolítica\' é assim não só fascinante como extremamente inspirador.
Creio também que cabe lembrar aqui, como um estímulo aos jovens pesquisadores, que essapesquisa foi primeiro apresentada, e premiada, numa Reunião Brasileira de Antropologia - se não me engano na sessão dos prêmios que levam onome de Claude Lévi-Strauss.
Projeto de pesquisa ambicioso,como convém aos jovens, essa tese, agora convertida em livro,certamente é um bom augúrio para nossos projetos futuros nessa área.
O livro de Gabriel Pugliese é uma brisa refrescante no cenário dahistória das ciências no país e, de quebra, com boas contribuiçõessobre questões de gênero. Acostumados que estamos, eu mesma incluída,a obras mais sisudas sobre esse campo de estudos, nos deparamos com um olhar novo sobre como os objetos da ciência se comportam - no casoobjetos no sentido estrito, isto é, aqui, o rádio. Além de umainstigante revisita a uma trajetória das mais importantes na históriadas ciências - não só a de Marie Curie como a de sua rede familiar - a pesquisa de Gabriel se dedica também a nos mostrar a resistência,quase no sentido psicanalítico, que o mundo material opõe aospesquisadores - o que, sem levar mais longe a metáfora possível aextrair daí, nos dá bastante lenha para pensar. O caso recente dobóson deveria nos levar a refletir mais sobre nossas relações com esse universo no qual vivemos e do qual (ainda) pouco sabemos.
Noentanto, é difícil resistir à metáfora sobre o empreendimento de Marie Curie e o que Gabriel chama de \'subversão do gênero\' - é como se as resistências materiais encontradas em sua pesquisa sobre aradioatividade correspondessem, de alguma maneira, às resistênciasencontradas por ela, como cientista mulher, no seu campo de estudos -e nas suas relações pessoais. Além disso, numa França dividida peloProcesso Dreyfus, a questão da \'raça\' se intromete na questão degênero e mostra até que ponto elas aparecem sempre historicamenteimbricadas. O estudo da \'diplomacia da radiopolítica\' é assim não só fascinante como extremamente inspirador.
Creio também que cabe lembrar aqui, como um estímulo aos jovens pesquisadores, que essapesquisa foi primeiro apresentada, e premiada, numa Reunião Brasileira de Antropologia - se não me engano na sessão dos prêmios que levam onome de Claude Lévi-Strauss.
Projeto de pesquisa ambicioso,como convém aos jovens, essa tese, agora convertida em livro,certamente é um bom augúrio para nossos projetos futuros nessa área.