Manuel Serafim Pinto está também imbuído de uma missão social, e essarazão torna este livro ainda mais raro nos nossos dias, em que tãopoucos escritores evocam esta razão para escrever. Pretende ManuelSerafim Pinto alertar-nos para um paradoxo: a nossa sociedade, que tão preocupada está com a segurança, não tem uma "cultura de segurança".Sim: a sociedade que exige que a porta do cockpit dos aviões possa não ser aberta por fora, por causa dos passageiros terroristas, e possaser aberta por fora, por causa dos copilotos suicidas. A sociedade que reclama contra os rails que matam os auto-mobilistas que contra eleschocam e se indigna com a sua ausência em caso de despiste. Asociedade que aceita ser vigiada, controlada, e tantas vezes aceitaprescindir da liberdade para ter segurança. A sociedade que aceitatodas as guerras santas em nome da segurança. Sim: essa mesmasociedade não tem uma ôcultura de segurançaö.