A descolonização africana não terá sido apenas um acidente tumultuoso, um estilhaço à superfície, o sinal de um futuro a subtrair-se? Nopresente ensaio crítico Achille Mbembe demonstra que - para lá dascrises e da destruição que muito afectaram o continente desde asindependências - novas sociedades emergem, concretizando a sua síntese a partir da reconstituição, da distribuição das diferenças entre si e os outros e da circulação dos homens e das culturas. Esse universocrioulo, cuja trama intrincada e invariável oscila incessantementeentre uma forma e outra, constitui a base de uma modernidade que oautor qualifica de «afropolitana».