CHAFES, SARA ANTONIA MATOS, RUI
«[à] No nosso mundo actual, tudo é horizontal, tudo está ao mesmonível e tem o mesmo valor. Os valores são todos iguais, não háhierarquias, os conhecimentos não são transmitidos dos mais velhospara os mais novos: as pessoas não olham para cima, olham para o lado, logo, nunca aprendem, só copiam. Interessa-me mais uma ética samurai, corajosa e vertical, determinada, radical, consequente até ao fim.Gosto de pessoas (e de artistas) verticais, que pensam e agem destamaneira. Talvez esteja a falar dos últimos samurais.» «A palavra podeter um poder conciliador ou mortal, um poder redentor ou destrutivo.Uma palavra pode salvar uma pessoa ou aniquilá-la. Todos nós játivemos experiências dessas, momentos em que alguém nos disse algumacoisa que nos levantou ou, pelo contrário, arruinou. ´Diz uma sópalavra e seremos salvosà´». «Eu acredito que nada que um artista diga tem demasiada importância face à sua obra, a obra deve valer por si.Ela fala e transporta uma voz mais poderosa do que as suas pobrespalavras. Só a obra tem uma linguagem auto-suficiente, própria,interna, o resto surge como acessório. O que não significa que nãohaja um complemento indispensável à obra que passa pelo discurso epela tentativa de produção de pensamento. Não é só o objecto queconta, é importante que exista um corpo de ideias e um discurso pordetrás, a acompanhar, a sustentar ou a fundamentar a obra, e que atorne diferente dos outros objectos e artefactos comuns.» [Rui Chafes]