No primeiro terço do século XX, Lisboa era, como desde há muito, amaior cidade do país, com o principal volume de força-de-trabalhodependente, e também a urbe mais sensível e avançada do ponto de vista cultural. Logicamente, o movimento social atingiu aqui a suaexpressão pública mais visível e influente, alicerçado no operariado e num sindicalismo orgulhoso da sua independência e afirmação própria,ao qual as doutrinas anarquistas acrescentavam uma sedutora composição ideológica. Mas também foi um movimento mais diversificado e menoscoeso do que em outras regiões do país, acusando mais cedo de quetodas os efeitos das grandes mudanças externas, da revolução russa àvitória dos nacionalistas na guerra da vizinha Espanha, do domíniocultural anglo-americano ao estertor do nosso colonialismo em África.No último quarto de século, com o 25 de Abril de 1974, Lisboa voltou a sentir os tremores revolucionários e viu emergir os "novos movimentos sociaisö.