Deus não se vai embora. Todas as pessoas mais cedo ou mais tarde têmde ter uma posição sobre a existência de Deus. Não se conhece nenhumasociedade que não tenha crenças e comportamentos religiosos. Estesdois factos são extraordinários. Se existissem excepções, a vidahumana seria radicalmente diferente. Pensemos em indivíduoshipotéticos que vivessem toda uma vida sem se questionarem sobre aexistência de uma entidade criadora do que existe ou a fonte dosentido para a existência do homem e do mundo. Este é um exercíciodifícil porque não reconhecemos traços de humanidade nesses indivíduos hipotéticos. Talvez algumas pessoas tenham sido e sejam assim.Talvez. É justo, contudo, afirmar a seu respeito que lhes falta algo,como se a grandeza da condição humana passasse obrigatoriamente poruma relação pessoal com a questão de Deus. O mesmo poderia serafirmado a respeito de uma sociedade que não tivesse crençasreligiosas, comportamentos abertamente religiosos e em que ninguémapelasse ao religioso. A imaginação de uma sociedade deste tipo éainda mais violenta porque ainda mais improvável. Seja como for, arelação entre os seres humanos e o religioso é inesgotável. O presente volume procura compreender alguns dos aspectos dessa relação.