«Paris é uma cidade de que se pode falar no plural, tal como os gregos falavam de Atenas, porque há muitas parises e a dos estrangeiros sósuperficialmente tem algo em comum com a Paris dos parisienses. Oestrangeiro que cruza Paris de automóvel e vai de museu em museu nãosuspeita sequer da presença de um mundo que lhe passa ao lado sem queele o veja. A não ser que se tenha realmente perdido tempo numacidade, ninguém poderá considerar que a conhece bem. A alma de umagrande cidade não se deixa apreender facilmente, é preciso, paracomunicar com ela, termo-nos aborrecido, termos de algum modo sofridonos lugares que a circunscrevem. Seja quem for, pode, sem dúvida,munir-se de um guia e constatar a presença de todos os monumentos, mas dentro dos próprios limites da cidade de Paris existe uma outracidade de tão difícil acesso como foi dificíl outrora o acesso aTimbuctu.» (Julien Green).