São muito conhecidas as personagens que Freud descreveu nas suasnarrativas de casos: "Elisabeth von R.", "Dora", o "Homem dos ratos",o "Homem dos lobos", mas nada se conhece das pessoas reais que seescondem por detrás desses pseudónimos célebres: Bertha Pappenheim,Ilona Weiss, Ida Bauer, Ernst Lanzer, Sergius Pankejeff. E que sabemos de todos aqueles pacientes sobre os quais Freud nunca escreveu nada,ou quase nada: Pauline Silberstein (que se suicidou atirando-se docimo do imóvel do seu analista), Olga Honig (o o de Honig leva trema)(a mãe do "pequeno Hans"), Elfriede Hirschfeld, o arquiteto KarlMayreder, Viktor von Dirsztay, a herdeira lésbica Margarethe Csonka, o psicótico Carl Liebman, entre tantos outros? Mikkel Borch-Jacobsenreconstitui com precisão as suas histórias - algumas com algo decómico na tragédia imanente de quase todas - sempre impressionantes ecomoventes. São, no total, 31 destinos que muitas vezes se cruzam, 31retratos de pacientes desconhecidos até hoje, que nos ensinam maissobre a prática clínica efetiva de Freud do que as suas narrativas decasos. E, em pano de fundo, todo um mundo que desapareceu, o da Vienado fim do Império austro-húngaro, que revive nostalgicamente diante de nós como um último passo de valsa.