O trabalho agora dado à estampa constitui um valioso contributo paracompreender o alcance local de um fenómeno secular que deixou memóriaescrita e oral, permitindo seguir percursos e histórias de vida.Vivências de crianças que sobreviveram ao abandono, redistribuídas,para serem criadas, entre agregados familiares de uma zona rural, evivências de mulheres que as acolheram, fazendo parte de um vastomercado de amas particulares que desta forma reforçavam rendimentose/ou beneficiavam de privilégios legalmente estabelecidos. Nacontinuidade das investigações sobre os expostos, em que também mesituo, este trabalho corresponde a um projecto metodológico diferente, já que parte dos sobreviventes que viveram na área em estudo parapesquisar a sua entrada na Roda de Lisboa e na Roda de Torres Vedras.¶ Como estudo de caso permite averiguar histórias de vida e entender,nos seus aspectos essenciais, o próprio funcionamento dessasinstituições de assistência. A metódica e minuciosa operaçãoheurística levou à reconstituição da trajectória de muitos expostoscom o rigor e o singular detalhe que tive o ensejo de acompanhar comoorientadora, digno do apreço que aqui exaro. ¶ No livro do Mestre José Damas Antunes encontram-se nomes e sobrenomes comuns, protagonistasda verdadeira História, composta de destinos individuais e colectivos. ¶ [Maria de Fátima Reis (Faculdade de Letras da Universidade deLisboa)].*************************************************************** O livro foca os percursos de vida de Expostos da Roda de Lisboa que vieram para Lourinhã e Torres Vedras, observando o impactodemográfico e económico que estas crianças abandonadas tiveram naregião e nas respectivas formas de integração social, e dá a conhecera Roda dos Expostos de Torres Vedras. ¶ Aborda o desenvolvimentodemográfico de Campelos e terras limítrofes, mostra a importância damemória colectiva do povo, com mais informação sobre Gaspar Campello,como um dos actores nas cerimónias fúnebres de D. Sebastião, e oresponsável pelo abastecimento das tropas que acompanharam D. AntónioPrior do Crato na sua última tentativa de ser Rei de Portugal, em1589.