A partir de uma visão intuitiva de uma Alcácer medieval imaginária,[Maria Teresa Lopes Pereira] decidiu dar-lhe realidade por meio dareconstrução dos vestígios poupados pelo tempo. Coleccionou-os comminúcia, autenticou-os pela crítica histórica, inseriu-os numespaço-tempo coerente. A Alcácer imaginada foi ganhando vida. O afinco com que Maria Teresa Lopes Pereira vai estudando a Ordem de Santiagolembra a paciente reconstituição, peça a peça, de um puzzlecomplicado, ou a minuciosa tecelagem, fio a fio, de uma tapeçariasempre incompleta, ou o restauro, pedra a pedra, de um mosaicoinacabado. Com a atenção e a persistência de quem pratica um ritual.Com a devoção de um peregrino. Acima da tarefa técnica, racional emetódica, definida pelos preceitos da crítica histórica, esconde-se abusca de um sentido transcendente. O que a distingue e lhe dáqualidade é o fervor com que o faz. Tal como o fervor de que falaSaint-Exupéry, aquele fervor que dá sentido à construção de um«império», à subida a uma montanha, à viagem de um navio, à entrega ao amor, à guarda de uma fantástica Cidadela. Aquele fervor que podetransformar os vestígios mortos do passado em verdadeiros einsuspeitados tesouros, e assim lhes descobrir um valor sem preço.[José Mattoso (do Prefácio)].