O trabalho que constitui esta dissertação de doutoramento incide sobre a indústria militar nacional, representada nas suas maioresestruturas pelos Arsenais Reais do Exército, o de Lisboa e o do Porto. Pretendemos que este trabalho não fosse somente uma investigação emHistória, mas também fizesse propiciar uma abordagem no âmbito dasmemórias do Património Industrial...Pretendemos levantar e analisar arealidade das estruturas industriais militares em situações de crise,o que ditou a sequência cronológica deste trabalho, tendo comoobjectivo construir uma imagem dos Arsenais nacionais perante ostremendos desafios da Guerra Peninsular, no período de 1807 a 1814, etentar avaliar as suas capacidades de resposta. Apesar de balizarmoscronologicamente o trabalho para as datas atrás referidas, muitadocumentação remete para a Campanha de 1801, ou Guerra das Laranjas. A intenção de é perceber o efeito desta campanha sobre o ExércitoPortuguês no ciclo que vai de 1802 a 1807, em que se inicia umaintenção de o reestruturar, oficialmente anunciada com a reorganização de 1806, mas bruscamente truncada com a 1ª Invasão Francesa, sob ocomando de Junot. Este ciclo afectará também as questões materiaisrespeitantes ao material de guerra e à sua gestão pelos ArsenaisNacionais. Veremos como o Governo Português encetou esforçossimultâneos de adquirir armamento, sobretudo ligeiro, no estrangeiroassim como teve intenções, não concretizadas, de modernizartecnologicamente os Arsenais com novas fábricas de armas e com acontratação de pessoal estrangeiro.