A presente dissertação procura traçar um percurso na produçãoartística do século XX, através da problematização dos diferentesmodos de abordagem do conceito de espaço que foram explorados ao longo desse período. Com base nas noções de Heterogeneidade,Tridimensionalidade e Performatividade - que são propostas enquantoperspectivas complementares para analisar essa exploração -, édesenvolvida uma reflexão que se tensiona entre um modelo de espaçoideal, puro, abstracto e neutro, e um modelo de espaço físico,contaminado, real e vivencial. A primeira parte deste trabalho tomacomo referência as propostas das primeiras vanguardas e o debate sobre a autonomia da arte que lhes está subjacente, evolui através daanálise das transformações operadas no conceito de escultura, eexamina a redefinição da experiência do espectador na primeira metadedo século XX - estabelecendo uma orientação que tende a definir-secomo uma trajectória em direcção a um espaço real. Numa segunda parte, é abordado o contexto de maior diversidade que determina a segundametade do século XX, sendo identificado um processo de espacialização, que dá continuidade às dinâmicas anteriores, mas que associa novosvectores de produção - vectores esses que se traduzem em modelos deespaço mais complexos e que introduzem diferentes inflexões naorientação inicial. Contrariando uma leitura de evolução linear, esteestudo propõe uma interpretação que se baseia na identificação de umaconstante transformação, reconfiguração, e conjugação de diferentesconcepções de espaço.