O livro de Heitor Baptista Pato fala-nos de todos estes problemas eexplica-nos o Cabo Espichel como uma unidade orgânica: espaço e luz,imensidão e trevas, mar bravio e vento, espuma e gaivotas,arquitectura e arte, natureza e pacificação, silêncio e infinitude,sob a égide de gerações de homens devotos na sua veneração dotranscendente. A partir de uma análise dos tempos antes das origens, e do estudo da tradição medieval no culto da Senhora do Cabo, segue umpercurso de atenção às petrofanias, aos votos comunitários, àsintermediações hierofânicas, aos ritos protectores, à força dareligiosidade popular, e à marca de gerações sucessivas, para podercontar-nos uma história faseada dos Círios, do giro saloio, das épocas de maior esplendor ou declínio do Santuário, das conturbaçõesreligiosas e políticas que fazem a própria História deste lugar comalma, e do mais, do muito mais de que nos dá conta neste livroexemplar.Vitor Serrão