O processo poético é frequentemente descrito como desconstrução dalinguagem. Parece, à primeira vista, ser justa a ideia, porém parte de uma premissa, no mínimo, questionável: a de que o discurso humanoexprime verdadeira realidade, seja de ordem sensível, seja no planodas ideias, este supostamente baseado naquela. É de pensar-se, porisso, que aqueles que eregem como matriz estética, por excelência, damodernidade poética, a desconstrução da linguagem, não estão afinal,no desenvolvimento da sua oficina poética, a proceder a desconstruçãoalguma. A minha modesta obra poética busca uma tendência substantiva:limita-se a questionar incessantemente o Ser usando minimalmente umaparato de atributos adjectivamente traduzíveis. Homem nascido evivido no Ocidente, interiormente vivencio o Oriente. Exilado que sou, aqui, pouco em mim reconheço, e pouco sou reconhecido. Disto falam os meus versos.