É hoje consensual na nossa historiografia que Portugal viveu umperíodo de relativa prosperidade e desenvolvimento económico no último quartel do século XVIII e nos primeiros anos do século seguinte.Tanto os estudos de Jorge Borges de Macedo como de Vitorino MagalhãesGodinho confirmam esta apreciação, embora não coincidam nainterpretação de vários factos. Por outro lado, a revolução liberal de 1820, que marcou o início de uma série de eventos que conduziram aotermo do regime sócio-político do absolutismo monárquico, éconsiderada pela nossa moderna historiografia uma revolução«burguesa», não só porque a ideologia que a inspirou representa opensamento de uma burguesia em ascensão, mas também porque elementosdesta classe desempenharam papel predominante na sua preparação eencaminhamento. Ora, dos conhecimentos que temos da composição dassociedades do que a historiografia francesa convencionou designar por«Ancien Régime», mesmo na sua última fase, parece-nos poder concluirque o núcleo fundamental da burguesia, o mais poderoso pelo menos, era constituído pelos comerciantes e profissões adjacentes.