«Frente ao desafio de escrever sobre a complexa cidade de hoje, e aimpossibilidade de abarcar Buenos Aires na sua densa malha urbana[...], vislumbrei uma única escolha possível: referir-me à "minha"cidade [...], o espaço delimitado onde decorreu a minha já longa vida. Haverá leitores que me critiquem pelo facto de não me ocupar dotango, do bairro de La Boca, da vida nocturna ou da calle Corrientes.Preferi deixar esses lugares-comuns no sítio próprio, as páginas dosinúmeros guias turísticos que existem sobre o tema. [...] Ao reler-me, no final desta deambulação totalmente subjectiva pelas ruas, peloslugares e pelos edifícios que me são familiares, deixo o alerta paraos limites, talvez estreitos, das minhas andanças portenhas: o bairroNorte, a Recoleta, Palermo, um pouco do centro, um pouco dos bairrosde prestígio, como Belgrano ou Flores. Pouco mais: há zonas inteirasda cidade que me são estranhas, e lamento-o. Mas quero ser fiel aoscenários que conheço em vez de fingir uma cidadania ecuménica, essaespécie de condição absoluta de portenho a que aspiram imaginariamente alguns vates antiquados.»