LISBOA: ANTONIO FRANCISCO LISBOA. CLASSICISMO NO NOVO MUNDO

LISBOA: ANTONIO FRANCISCO LISBOA. CLASSICISMO NO NOVO MUNDO

$20.011
IVA incluido
Sujeto Disponibilidad de Proveedor
Editorial:
DAFNE EDITORA
Año de edición:
ISBN:
978-972-99019-9-7
Páginas:
136
Encuadernación:
TAPA BLANDA O BOLSILLO
Idioma:
PORTUGUES
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Em tempo de euforia migratória estimulada pela miragem do ouro doBrasil, muitos portugueses dos ofícios da construção optaram pelaaventura, na esperança de melhores dias para as suas vidas. Nãopartiam de mãos vazias. A primeira ferramenta de um artíficeinteligente é o seu caderno de modelos, memória segura da aprendizagem possível, guia para o entusiasmo de fazer bem para ganhar estatuto na profissão. António Francisco Lisboa nasceu no Brasil, filho naturalde um desses emigrantes. Herdou do pai o jeito para a talha e osentido da criação das formas. Inteligente, teria até frequentadolições de latim e lia a Bíblia. Com perto de quarenta anos, na forçada vida e já senhor de um notável prestígio de artista, sofreu de umadoença que lhe foi destruindo o corpo ao longo dos restantes quasequarenta que ainda suportou, até que se finou paralítico e cego.Interrogamo-nos sobre como foi possível a um homem que nunca viajoupara o outro lado do Atlântico nem frequentou a sabedoria dos tratados da arquitectura europeia, atingir um tal grau de refinamento comogeómetra, dominador dos princípios mais subtis da composição dasformas barrocas com um nível de encanto que o coloca mais próximo dalinha de Borromini do que qualquer outro arquitecto, por mais culto eeuropeu que procuremos. Em São Francisco de Ouro Preto somosacometidos da mesma emoção estética com que nos invade a obra deBorromini, nessa linha do tratamento das axialidades contrárias sobmatriz luminosa, que o autor romano aceitava ter origem nasexperiências medievas da sua primeira aprendizagem. A concepção doespaço interno na arquitectura do Aleijadinho é mais determinada pelasensibilidade pessoal com que retoca os esquemas que lhe sãofornecidos pelas formas da evolução local ou pelas notícias gráficasde arquitecturas distantes, do que por uma formação escolástica oufruto de transmissão organizada de um código de bem fazer. Nos confins da terra do ouro, escondido muito para lá do oceano nas serranias deMinas Gerais, vamos encontrar a figura do arquitecto descrita porAlberti na pessoa de António Francisco, utilizando o desenho comotraço de rigor para a obra que o construtor executa seguindo ainvenção formal do autor do risco. Repetindo de modo inconsciente ospassos que sabemos terem sido os dos primeiros arquitectos dorenascimento florentino, cinzeladores da prata que modelaram a formana sua imaginação para ser transposta ao mármore.

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