Uma obra literária através da qual o autor procura revelar osverdadeiros objectivos da obra de José Saramago, nos limites dopercurso ideológico e literário entre o Ensaio sobre a Cegueira e oEnsaio sobre a Lucidez, passando por Todos os Nomes, A Caverna e OHomem Duplicado. Prefácio de Miguel Real Posfácio de Elsa Rodriguesdos Santos «(...) António José Borges aduz um conjunto de argumentos(...), acrescentando, assim, uma nova luz ao esclarecimento dasmúltiplas perspectivas estéticas por que se tem enquadrado a obra deJosé Saramago. (...) O romance ganha em José Saramago um estatutoensaístico de permanente inquirição e abertura de horizontesculturais, segundo interrogações radicais de carácter filosófico (aquestão de Deus, a questão civilizacional do capitalismo, a questão da identidade do euà), que desafiam, senão subvertem, o paradigmaconceptual por que habitualmente interpretamos o mundo, forçando oromance a tornar-se, mais do que a narrativa de uma história, uminquiridor das regras e dos modelos do acto instaurador da palavra.»Miguel Real in Prefácio «Além de aprofundar as motivações do texto,numa análise muito rica, levando o leitor a novos caminhos deinterpretação, [o autor] desvenda a essência humanista de Saramagocoadjuvado por textos seus paralelos (diários, entrevistas e artigos), como dos seus dados biográficos, em que Lanzarote foi pedra basilar.Na defesa da tese da existência de um percurso ideológico e literáriodentro dos parâmetros já referidos, António José Borges seleccionatrês aspectos como os mais relevantes: O tratamento da religião e mais concretamente o papel de Deus, o discurso aforístico (nomeadamente os ditados populares), o papel do cão nos seus romances deste período.»Elsa Rodrigues dos Santos in Posfácio