Março de 2009. Estamos em pleno "olho do furacão". Uma crise dita"sistemática" e uma recessão económica profunda, diferente das crisescíclicas de 1983, 1993 e 2003, afectam gravemente a dramaturgiaportuguesa. Correm à nossa frente, vertiginosamente, as previsões, asestimativas e os programas de combate contra a crise. Para além dacrise que nos chega do mercado mundial e da economia internacional, asociedade portuguesa está, a curto prazo, fortemente implicada portrês níveis ou escalas de problemas: o que irá acontecer na UniãoEuropeia, o que irá passar-se nas relações ibéricas, a reabertura, noplano interno, do processo de regionalização administrativa docontinente. O tema deste livro é uma incursão, em conjuntura de crise, ao território das relações íntimas que estas três agendas mantêmentre si. Entretanto, perante o imenso arsenal de combate à crise e àrecessão, uma torrente de liquidez e despesa pública, eis que surge oparadoxo inquietante: o que se questiona, desde já, não é a forma como o Estado entrou no problema, por causa da crise, mas a forma como oEstado irá sair do problema, apesar da crise! Este livro é o meumodesto contributo para a reflexão, no tempo que corre, sobre osnossos problemas mais ingentes.