ISABEL LOPEZ / SALAZAR CODES, ANA
No início do reinado de Felipe III (1598-1621, as relações entre aMonarquia Hispânica e a Inquisição Portuguesa entraram numa nova fasecaracterizada por constantes desacordos. O conflito provocado peloperdão geral que os cristãos novos solicitavam foi acompanhado poroutros motivos de tensão entre a Coroa e o Santo Ofício. Deste modo,nos cinco anos que mediaram entre 1599 e 1604, sucederam¬ se quatroinquisidores gerais, a Coroa projectou a reforma do Tribunal e proibiu se em várias ocasiões a celebração de autos de fé. Simultaneamentemultiplicaram se as tensões entre a Inquisição e a Santa Sé, emresultado das apelações feitas por alguns cristãos novos ao SumoPontífice. Para solucionar o problema da oposição do Santo Ofício àsresoluções da monarquia, Felipe III recorreu a um homem de comprovadafidelidade à Casa de Áustria. Tratava se de Pedro de Castilho, bispode Leiria, que aceitou executar o perdão geral concedido aos cristãosnovos. Assim, a partir de 1605 o Santo Ofício, sob o governo deCastilho, iniciou uma etapa de recuperação do seu poder e prestígio.Mediante a submissão aos desígnios da Coroa à colaboração com osministros mais influentes - o Duque de Lerma, o Marquês de CasteloRodrigo e o secretário Fernão de Matos - o novo inquisidor geralconseguiu recuperar a confiança do monarca no Santo Ofício,conseguindo substituir a reforma externa da Inquisição, que tinha sido planeada em Valladolid, por uma reforma a partir do interior dopróprio Tribunal que culminou com a reorganização do Conselho Geral ea publicação, em 1613, do novo Regime do Santo Ofício.