AA.VV
A criação dos Estudos Gerais Universitários de Angola e, também, namesma data, de Moçambique foi antecedida de uma grande batalha e, porisso, acompanhada de um erro e de um compromisso. O erro traduziu-seno título das instituições, chamadas Estudos Gerais com o intuito deficar afirmado que tinham a mesma intenção, dignidade eresponsabilidade das mesmas instituições ocidentais usadas na Europahavia séculos. O compromisso teve origem na necessidade de ultrapassar as resistências, desactualizadas nos tempos e nas convicções demuitos, de que era necessário continuar a exigir e manter o ensinosuperior na metrópole como instrumento para assegurar a unidadeprevista na Constituição de 1933. Neste caso tratou-se de um conflitode experiência e de concepção. Quanto à concepção, a ideia de unidadede Portugal nasceu da visão, confirmada por factos históricos, como aRestauração de 1640, de que os portugueses, emigrados pelas cincopartidas do mundo, e os descendentes manteriam essa comunidade, emprimeiro lugar de afectos e, depois, de solidariedade einterdependência, que se chama Nação. Uma concepção que seriaalargada, com expressão viva no Comandante João Belo, na esperança daassimilação que viesse a unir europeus e gentes das terras. Umaconcepção ideológica contraditória com o próprio ensino universitárioda época, provavelmente inspirado nas independências do continenteamericano, e que usava o exemplo de os filhos se separarem dos pais, o que estava em contradição evidente com a interpretaçãoconstitucional. Mas era mais relacionada com a convicção dapreservação da unidade imperial o engano de que tal objectivo daunidade era melhor servido pela manutenção na metrópole do exclusivoensino superior que, apenas, tinha excepção na Escola Médica do Estado da Índia, cujos diplomas não eram reconhecidos suficientes nametrópole. [do prefácio de Adriano Moreira]