«Luz e trevas são a mesma coisa, em ambas reside a mesma energia. Quem possui ouro no seu âmago tem de aprender a trabalhar com ele, paraque as outras pessoas consigam ver que, por trás da aparenteescuridão, existe um ser de luz, um ser luminoso. A luz vem dastrevas, pois é aí que nasce a luz.» [Rui Chafes, «O perfume dasbuganvílias», Entre o Céu e a Terra] «Reunindo a autobiografia doescultor (tão exacta quanto a memória o permite) e o registo de umasua conferência, Entre o Céu e a Terra testemunha uma posição no mundo e, ao mesmo tempo, a dificuldade de resistir, sem nunca desistir.Também a resistência poética que uma obra oferece, inclusivamente aoseu próprio autor, é a medida da sua qualidade. Uma obra de arte exige trabalho e esforço do público, não pode ser apenas mais um sedutorespectáculo para preguiçosos. Ela não deve menosprezar o espectador,tem de o ajudar a defender a sua dignidade nesta era de massificação,banalização, frivolidade, superficialidade, efemeridade mediática,consumismo desenfreado e sensacionalismo que espelham a vacuidade dosdesígnios desta civilização do espectáculo que nos habituámos aaceitar com passiva indiferença. Na esterilidade deste vazio, não sepode desistir de procurar a beleza e a verdade. Há que densificar otrabalho, para que possa existir espírito e pensamento. Seránecessário instaurar pontos ásperos, baços, rugosos, e foscos nummundo escorregadio, brilhante e digital.»