A memória paulista acostumou-se a ler o passado através das lentes domovimento modernista de 1922, transformando-o num autentico vesúviocultural, cuja erupçao iluminaria todo o período posterior. Oresultado foi um ofuscamento de eventos e personagens de épocasanteriores. Este livro nos chega para atenuar esta espécie de amnésiarecalcada. Retomando suas pesquisas, notadamente sobre a Villa Kyrial, Marcia Camargos reconstitui em detalhe nao apenas a história doPensionato Artístico, como faz dele um catalisador para redescobrir,sob forma de biografia coletiva e dramas individuais, toda a vidacultural paulista daquelas décadas esquecidas. Entre conhecidos e nemtanto, lá encontram-se Anita Malfatti, Victor Brecheret, TúlioMugnaini, Dario e Mário Villares, e, no grupo dos músicos, Souza Lima, Francisco Mignone, Estela Epstein, Mário Camerini e tantosoutros.
Por trás do rebarbativo nome Pensionato, havia umainstituiçao, fundada em 1912, que patrocinou a formaçao europeia detoda uma geraçao de artistas que marcariam de maneira notável ahistória cultural paulista. Liderando o Pensionato, estava a figuraerudita do advogado, senador e poeta Freitas Valle, aqui transmutadoem mecenas híbrido, já que centralizava as decisoes, embrasileiríssima mistura de clientelismo e filantropia praticadas comverbas públicas. Porém, nem mesmo sua atitude controladora conseguiuenquadrar a liberdade criativa dos bolsistas nas bitolas dos moldesacademicos, pois a grande maioria mergulhava no efervescente climacultural europeu das décadas anteriores à Guerra de 1914, que já era,a rigor, modernista.
Apesar de tantos documentos perdidos apósa morte de Freitas Valle, Marcia Camargos escavou fundo em arquivosdispersos no Brasil e na Europa, incluindo registros de cartórios ecemitérios, além de preciosos acervos particulares. E, no contrapelodaquele ofuscamento da memória, brinda os leitores com umacontribuiçao inestimável para a história da cultura paulista.
A memória paulista acostumou-se a ler o passado através das lentes domovimento modernista de 1922, transformando-o num autentico vesúviocultural, cuja erupçao iluminaria todo o período posterior. Oresultado foi um ofuscamento de eventos e personagens de épocasanteriores. Este livro nos chega para atenuar esta espécie de amnésiarecalcada. Retomando suas pesquisas, notadamente sobre a Villa Kyrial, Marcia Camargos reconstitui em detalhe nao apenas a história doPensionato Artístico, como faz dele um catalisador para redescobrir,sob forma de biografia coletiva e dramas individuais, toda a vidacultural paulista daquelas décadas esquecidas. Entre conhecidos e nemtanto, lá encontram-se Anita Malfatti, Victor Brecheret, TúlioMugnaini, Dario e Mário Villares, e, no grupo dos músicos, Souza Lima, Francisco Mignone, Estela Epstein, Mário Camerini e tantosoutros.
Por trás do rebarbativo nome Pensionato, havia umainstituiçao, fundada em 1912, que patrocinou a formaçao europeia detoda uma geraçao de artistas que marcariam de maneira notável ahistória cultural paulista. Liderando o Pensionato, estava a figuraerudita do advogado, senador e poeta Freitas Valle, aqui transmutadoem mecenas híbrido, já que centralizava as decisoes, embrasileiríssima mistura de clientelismo e filantropia praticadas comverbas públicas. Porém, nem mesmo sua atitude controladora conseguiuenquadrar a liberdade criativa dos bolsistas nas bitolas dos moldesacademicos, pois a grande maioria mergulhava no efervescente climacultural europeu das décadas anteriores à Guerra de 1914, que já era,a rigor, modernista.
Apesar de tantos documentos perdidos apósa morte de Freitas Valle, Marcia Camargos escavou fundo em arquivosdispersos no Brasil e na Europa, incluindo registros de cartórios ecemitérios, além de preciosos acervos particulares. E, no contrapelodaquele ofuscamento da memória, brinda os leitores com umacontribuiçao inestimável para a história da cultura paulista.