Podemos fazer críticas de música, de filmes, de pintura, de livrosà,mas também podemos escrever, porque não? uma crítica de paisagens. Apaisagem de Portugal é rica e variada, cada região do País estámarcada de características que lhe são particulares: ora nos deparamos com um planalto, ora com montes e serras, dotados de um climatipicamente mediterrânico e com uma linha de costa de cerca de 800quilómetros, em que o solo fértil é escasso, só se tornando maisfértil nos fundos dos vales. «A secura estival deste clima deixamarcas profundas sobre a paisagem, condicionando inegavelmente a suaevolução». Ao longo dos tempos, gerações e gerações lutaram contra umsolo improdutivo. Um dos flagelos provocadores de alterações dapaisagem e destruidores de matos, florestas e, infelizmente, vidas é o fogo. Todos os anos, mal surge um dia mais quente, as notícias dãoconta de mais áreas florestais que arderam. Contudo, este inimigo nãoestá só. Acompanham-no o vento e as águas superficiais. Estes trêsagentes são os responsáveis pela alteração dos contornos da paisagemao longo dos tempos. E é deste e de outros assuntos que trata estelivro: Da Paisagem e do Tempo é «um relato de experiências pessoaiscom a paisagem e com o tempo como pano de fundo».