DISSE-ME UM ADIVINHO

DISSE-ME UM ADIVINHO

EM VIAGEM PELOS MISTÉRIOS DO EXTREMO ORIENTE

$44.358
IVA incluido
Sujeto Disponibilidad de Proveedor
Editorial:
TINTA DA CHINA
Año de edición:
Temática
Enciclopedias y diccionarios
ISBN:
978-989-671-018-7
Páginas:
600
Encuadernación:
Otros
Idioma:
PORTUGUES
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A vida oferece-nos sempre uma boa oportunidade. O problema é sabermosreconhecê-la, o que nem sempre é fácil. A minha, por exemplo, tinhatodo o ar de ser uma maldição. «Cuidado! No ano de 1993 corres umgrande risco de morrer. Nesse ano, não andes de avião. Não andesnunca», dissera-me um adivinho. Aconteceu em Hong-Kong. Encontraraaquele velho chinês por acaso. No momento, aquelas palavrasimpressionara-me, como é óbvio, mas não me causaram grandepreocupação. (...) A ideia de passar um ano inteiro sem voaragradava-me só por si. Sobretudo como desafio. presumir que um velhochinês de Hong-Kong pudesse ter a chave do meu futuro divertia-meimenso. (...) De repente, privado da possibilidade de correr para umaeroporto, pagar com um cartão de crédito, escapulir-me como umfoguete e, num abrir e fechar de olhos, encontrar-me literalmente emqualquer parte, fui obrigado a encarar o mundo como um complexoemaranhado de países, separados por braços de mar que é misteratravessar, por rios que é preciso transpor, por fronteiras para cadauma das quais é necessário um visto, e um visto especial, que diga«via terrestre», como se essa via, sobretudo na Ásia, se tivesseentretanto tornado tão insólito que convertia automaticamente numsuspeito qualquer indivíduo que insistisse em usá-la. Deslocar-me deum sítio para outro nunca mais foi uma questão de horas, mas de dias,de semanas. Para não cometer erros, antes de iniciar viagem tive deolhar bem para os mapas, de recomeçar a estudar geografia. Asmontanhas voltaram a ser possíveis obstáculos no meu caminho, em vezde bonitos e irrelevantes retoques numa paisagem vista da janela de um avião.

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