Deveria o leitor contentar-se com as páginas que lhe são oferecidas edeixar-se de outras divagações? Dificilmente, perante um texto comoeste. É que há nele uma tão grande instância de sofrimento epenitência, acima de tudo uma tão intensa urgência de partilha desentimentos, contradições, desvelos oníricos, exaltações edesencantamentos, que passar por estas páginas sem nos interessarmospelos móbeis do seu autor seria como desfrutar uma tapeçaria sem lhedesvendarmos o avesso. Sem esse apetite respeitoso peloanimusda obra,este livro poderia ficar-se pela narrativa poética de uma história deamor obsessivo, utópico e avassalador, que a vida se encarrega decolocar nos inexoráveis cadinhos do apaziguamento e da banalidade.Como uma impetuosa valsa que se esfuma em solidão no fim do baile. Eno entanto este livro é mais do que isso, sente-se bem quando se acaba de o ler. Quanto mais, Isabel Moreira Rato?"Carlos Pinto Coelho