AA.VV
As universidades públicas portuguesas deixaram de ter cursos deTeologia e é muito difícil encontrar algum curso ligado à História das Religiões. Esta situação tem já muitas décadas e revela uma decisãode princípio de tal forma importante que só pode ser classificada como adjectivo de civilizacional. De facto, estamos perante uma decisãocivilizacional das universidades portuguesas como um todo. O que é que elas dizem ao mundo com esta decisão? A resposta é evidente aqualquer pessoa. Dizem isto: os responsáveis políticos e académicos em Portugal não consideram que a religião seja um assuntosuficientemente digno para fazer parte do elenco dos cursosuniversitários em Portugal. Podemos, evidentemente, precisar estepensamento, vendo nele a influência datada do movimento da Repúblicana vida portuguesa em geral. Podemos ir mais atrás na culturaportuguesa, discernindo nesta perspectiva dos responsáveis pelasuniversidades portuguesas uma influência anacrónica das ideiaspositivistas do velho século XIX. É indubitável que muitas outrasinterpretações para este estado de coisas anómalo poderiam seravançadas. Mas o facto permanece de que as universidades portuguesasvivem de costas voltadas para o mundo da crença religiosa. O danocausado por este estado de coisas à formação universitária das pessoas é enorme.