Eduardo Pitta não vê tudo, vê o que consegue ou lhe apetece,reivindica os seus poucos dias em Itália como uma experiência pessoal, idiossincrática, que o faz sentir-se distante da «manada», com seusguias e paragens obrigatórias, para dizerem que está visto. É tambémpor isso que estes diários têm bastantes anotações agastadas oulascivas, que contrariam a «elevação» própria de certos textos deviagens. Por exemplo, os guardas suíços do Vaticano «valem bem umamissa». [...] Depois, há a questão do dinheiro, insistente,omnipresente, com referências a preços, coisas que custam os olhos dacara, jantares com vários dígitos, e assim por diante. É um tiqueelitista mas antiaristocrático, uma «distinção», uma provocação,,umjogo com o status. O esplendor italiano nasceu da convergência entre o dinheiro e o gosto. E essa mitologia agrada a Eduardo Pitta. Paraneo-realismos, bem basta o que basta.