Cada um colhe da vida o que dela recolhe, o que equivale a dizer quecada um constrói o seu paraíso ou inferno no tempo que lhe cabe. Entre a sublimação e o exorcismo, em singular expressão e não menos raratemática, Jorge Reis-Sá, enquanto poeta, dir-se-ia reencarnar tanto oespírito de ´Hamlet´, quanto o de ´Orfeu´, na perseguição do seramado que lhe escapou. Nenhum destes trajectos é fácil, sequer humano, na medida em que requer um trato com uma entidade superior,deificadora! E daí que ele humanamente profira: ´Porque procuro nopoema final e definitivo a face de Deus, todos os versos que escrevime hão-de condenar ao inferno.´