O Estado que se refunda com as revoluções liberais exige a uma geração de portugueses a invenção de um novo contrato social, que junte aNação, as instituições, a História e o progresso. Ao período que vaide 1820 e 1851, pede-se que se olhe com os olhos desse tempo e não com os do Antigo Regime que já passara ou com os do futuro que se nãopodia prever. Nele, ergueram-se os alicerces desse Portugal Moderno,difícil, controverso e confuso, muitas vezes gerador de equívocos quese foram repetindo na historiografia que se lhe seguiu. O padre Marcos esteve em todos os momentos decisivos desse período, interveio emtodos eles, foi decisivo em alguns e tornou-se uma figuraincontornável da sua inteligibilidade. Esteve na reforma do Estado eda Igreja e nunca considerou que fosse incompatível as suas condiçõesde cristão e maçon, tendo chegado a Arcebispo de Lacedemónia egrão-mestre da Maçonaria portuguesa.