O presente texto, retirado, em boa parte, duma investigação dedoutoramento apresentada na Faculdade de Filosofia da UniversidadeComplutense de Madrid em 2007, ensaia uma operação de transplante:toma o conceito de hospitalidade, geralmente associado ao terrenodo ético, do político e do jurídico, e transfere-o para o campo doestético e, em particular, da criação artística. Guiado peloestilo desconstrutivo de Jacques Derrida (1930-2004) faz anotaçõessobre a forma como reage a hospitalidade a este transplante. Nãose trata dum exercício abstracto, pois é aplicado a um caso concreto:os desenhos de Álvaro Siza. Reflecte também sobre as questõesprévias e de fundamentação: haverá alguma forma de legitimidade quesuporte a deslocação dos marcos que delimitam os territórios dosaber? Poderá o estético receber pacificamente e suportar aintromissão de um estranho no seu território?