UM LIVRO ACTUAL. Quo vadis, Europa? Quando tanto se discute a criseda União Europeia, o autor, não querendo fazer futurologia,interrogou-se sobre o futuro do Velho Continente, optando por fazê-lonum registo ficcionista. Por vicissitudes várias, que não vêm aocaso, o texto em questão foi escrito já nos idos de 2000, mas ficou aestagiar numa gaveta. (à) A ideia básica que presidiu à feitura dolivro prende-se com uma das pechas com que se debatem os historiadores (não só): quando analisamos um acontecimento sociopolítico de quesomos contemporâneos, fazemo-lo sempre com um certo grau deenvolvimento emocional, ou até mesmo ideológico. Por exemplo: asanálises coetâneas do salazarismo foram, manifestamente, inquinadaspelo posicionamento político de quem então as produziu, e só agora,que o pó da História começou a assentar, é possível analisar,descomprometidamente, esse período da nossa História. Ora bem: estelivro (na verdade, trata-se de vários livros dentro de um livro) é, de certo modo, uma análise crítica ao Portugal do nosso último meioséculo, e é, também, uma parábola sobre hipotéticas evoluções futurasda Europa. Assim, para escrever o Admirável Mundo Velho, entrei numa""máquina do tempo"" e, liberto - assim o espero - de envolvimentosafectivos e ideológicos, procurei fazer uma leitura da nossa vivêncianacional, mas observada daqui a duas gerações." (Extracto da carta doautor ao editor)."