«Os últimos anos têm-se caracterizado por um crescente debate, einteresse, relativamente interação entre poder político e banca[]. Face importância de garantir um sistema bancário capaz, numregime democrático, de prover crédito estável e duradoiro aempresários talentosos e a famílias responsáveis, importa questionarpor que razão é tão difícil encontrar nos nossos dias um talsistema. Adicionalmente, como é possível que um setor da economia tãoregulado e supervisionado funcione tão mal em tantos países? Aresposta de alguns autores para esta questão sugere que a fragilidadedo sistema bancário e a escassez do crédito refletem aestrutura fundamental das instituições políticas em cada país. Paraoutros, o problema decorre essencialmente da captura efetiva, porparte de interesses privados, das matérias da regulação financeira, da captura cognitiva em termos ideacionais ou de lacunas ao níveldo processo de governança global. O argumento proposto neste trabalhofundamenta-se numa abordagem realista em que a lógica associada preservação do poder político se assume como determinante.Consequentemente, a necessidade de manter um forte ritmo de dinâmicaeconómica tende a dominar a ação política por forma a satisfazer oseleitores. Neste processo, a relação entre o poder político e asinstituições bancárias afigura-se central, uma vez que a capacidade de criação de massa monetária, via crédito, é pertença dosúltimos. Aos reguladores, nomeados politicamente,cabe a tarefa de gerir este processo e de salvaguardar a estabilidadefinanceira.»